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Álbum Duplo

2017

Chico César

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"Há sutileza e silêncio na poética assustadoramente madura de Fabiana Cozza. Mas há também "um cabra em cada sílaba" como ela mesma avisa de chofre em giro num golpe seco que será seguido de muitos outros, cada qual mais surpreendente. São murmúrios que brotam de uma quase mudez e explodem a página e os sentidos de quem lê não pela grandiosidade das imagens ou pelo grito mas, sim, pela precisão aparentemente informal mas contundentemente certeira de seu corte - um bisturi afiado nas mãos de uma mulher experiente nas armadilhas do mundo (e da literatura, e da linguagem). Uma escritora.
É a primeira vez que mostra seus versos para os expor assim em livro. Sendo ela cantora que goza de grande prestígio no Brasil, América Latina e África, em sua dedicação à música da diáspora africana do lado de cá do Atlântico, surpreende e assusta. Não como uma cantora que escreve, mas como escritora, poeta, estilista da palavra escrita. Chega a ser perturbador o seu domínio sobre a palavra tanto em língua portuguesa quanto em espanhol. Impossível não pensar em Ana Cristina Cesar ou Florbela Espanca. A forma de trazer o assunto, insinuá-lo, expô-lo, transpô-lo. Sem maneirismos nem a pressa de quem busca o efeito e se perde no processo. O resultado é quase sempre enxuto, econômico, com em sol a la noche: "por favor,/llámame morada/porque aire te di;"
Seu rigor formal de modo algum se confunde com falta de paixão, de envolvimento ou entrega. Pelo contrário. Trata-se de escrita apaixonada num rito profundo de controle sobre o que é dito e, principalmente, como é dito. E aí encontramos sua identificação com a "escandalosa negritude de Bola de Nieve", cantor, compositor e pianista cubano, homessexual negro, cuja obra dedicou-se a cantar nos últimos anos e registrou belamente em disco. Sua pena se debruça também sobre um tal León, "um homem minúsculo", assim descrito por Fabiana.
De fato, somos minúsculos os homens diante do amor imenso das mulheres pela vida (e por alguns de nós, homens) e a grandeza silenciada de sua criação em nosso tempo. Tem sido grande, mas não vão, o esforço das mulheres para ocupar os espaços de destaque de expressão e criação estética e ética, os lugares de fala e decisão. Talvez por isso essa Martha, que é um de seus personagens mas é também Fabiana Cozza, tenha demorado tanto a trazer seus poemas à luz. Mas agora estes versos são feito um farol aceso na noite feroz e tempestuosa que vivemos. Evoé, Fabiana Cozza!"

Nei Lopes

"A primeira palavra que me ocorre à simples menção do nome Fabiana Cozza é civilização. E isto no sentido de vivência intelectual, artística, moral, social e política: experiência essa que, antes de tudo, torna civilizada uma pessoa. A busca de Fabiana pelos diversos caminhos que vem trilhando me leva a esta constatação.

Da cultura do samba à cubanidad e ao afrocubanismo: do canto popular ao ritual, chegando ao teatral, dramático - entre queijos & vinhos ou quitutes & cervas, de origens insuspeitas - tudo nela é específico, exclusivo, apropriado. E aí me ocorre, a seu respeito, uma outra palavra: refinamento.

O requinte de Fabiana surge agora na lavra poética, neste livro que tenho a honra e a ousadia de apresnetar. E digo ousadia por não ter nada que me credencie como crítico de literatura; pelo que, então, recorro à intuição.

Qualquer manual de teoria literária, se é que existem manuais dessa matéria, poderia me ensinar que linguagem poética é algo muito especial. Nelas, pressinto, as palavras não tem um sentido único e imutável, pois seu poder de comunicação está exatamente no jogo dos timbres e sonoridades, na musicalidade, enfim. Na força lírica que carregam é que, no texto poético, as palavras nos sugerem ou lembram ideias e associações, que conformam visões e imagens.

Assim, buscando definir e associando, lembro do nome carinhoso pelo qual sempre gostei de chamar nossa admirada intérprete e criadora: Fabi.

Pois bem: esse carinhoso apelido apocopado ecoa em mim algo da tradição lucumí cubana de Ifá, o Grande Orixá do conhecimento, do saber e do destino do Universo e da Humanidade. O nome, decomposto, parece referir, pelo elemento bi - fazer nascer, em iorubá - algo ou alguém que nasceu para cumprir especial determinação dessa Divindade fundamental.

Pois é isto! Fabi nasceu para traçar no pó amarelado dos caminhos uma bem-sucedida trajetória. E cumprindo essa caminhada, ela chega agora à poesia impressa, em poemas que nos envolvem em associações, visões e imagens sobretudo encantadoras.

Civilizadamente refinadas."

Livia Garcia-Loza

"Álbum duplo, de Fabiana Cozza, abraça duas línguas. Duas longas asas que se transformam em manifesta poesia. Versos vibrando nas veias, percutindo lembranças, arpejos de antigos dias - festas paradas no tempo. Que nada passa. Abranda, mas não passa.

E ela - alma vasta de uma flor -, vai alta, soberana, mapeando sentidos múltiplos, nos dizendo que a vida pulsa para os amorosos, que fracasso é pausa para invenção, e que lembrar vale a pena, grafando no tempo tanto talento."

Noemi Jaffe

"Quando se pensa no nome de Fabiana Cozza, pensa-se em uma voz gigante a cantar. E não deixa de ser isso também o que ocorre nesses poemas. Uma potência que se reconhece numa voz que fala, sobretudo, de amor. Mas não se trata de um amor conhecido; é um sentimento de números primos, de ritmos africanos, de uma dor que não chora, de uma efusão contida e precisa. Um samba toca nas entrelinhas: Fabiana sussurra uma melodia que mal escutamos. Mas é ela que nos embala e que, de súbito, nos lança para dentro e para fora de nós."

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Agô Produções

Nenê Rodrigues - produtora executiva

ASSESSORIA DE IMPRENSA

Dani Blaschkauer

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